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BASTIDORES DE 2028

Eleições de 2026 antecipam disputa política por Jundiaí em 2028

Após a eleição de Luiz Fernando Machado para deputado federal e Leandro Basson para deputado estadual, bastidores políticos já discutem a sucessão municipal; Martinelli pode tentar a reeleição, enquanto outros nomes também entram nas especulações.

Jaime Lima
· atualizado há 1 h · Jundiaí
Foto: fotógrafo PMJ

Encerradas as eleições de 2026, com a reeleição de Lula à Presidência da República e a vitória de Flávio Bolsonaro em Jundiaí, os bastidores políticos da cidade começam a voltar suas atenções para a sucessão municipal de 2028.

O resultado do segundo turno, realizado no domingo, 25 de outubro, confirmou a preferência do eleitorado jundiaiense pelo candidato do PL, que recebeu 161.594 votos (61,69%), contra 100.339 votos (38,31%) de Lula. No cenário nacional, entretanto, o presidente foi reeleito.

Com a disputa nacional encerrada, as articulações locais ganham espaço. No centro dos questionamentos está a possibilidade de Luiz Fernando Machado (PL), eleito deputado federal em 2026, voltar a disputar a Prefeitura de Jundiaí em 2028, antes de concluir seu mandato em Brasília.

O assunto provocou manifestações públicas ainda durante a campanha eleitoral. O prefeito de Campo Limpo Paulista, Adeildo Nogueira (PL), e o vereador Professor Maycon, de Várzea Paulista, questionaram a possibilidade de parlamentares eleitos deixarem seus mandatos para disputar prefeituras.

No ambiente político ligado ao prefeito Gustavo Martinelli (União Brasil), também houve manifestação em defesa de candidatos que permanecessem nos cargos para os quais fossem eleitos.

Até o momento, não há anúncio público de Luiz Fernando confirmando ou descartando uma candidatura à Prefeitura em 2028.

Enquanto os novos deputados eleitos se preparam para assumir seus mandatos em 2027, Jundiaí já começa a discutir nomes, alianças e possíveis caminhos da próxima eleição municipal.

Histórico de Luiz Fernando alimenta questionamentos

Eleito deputado federal em 2026, Luiz Fernando Machado recebeu 68.726 votos em Jundiaí. Ex-prefeito do município entre 2017 e 2024, ele já disputou eleições municipais após conquistar mandatos legislativos.

Em 2010, foi eleito deputado federal e, dois anos depois, concorreu à Prefeitura de Jundiaí, sem vencer.

Em 2014, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo e, em 2016, voltou a disputar o Executivo municipal. Na segunda ocasião, venceu a eleição e deixou o mandato estadual para assumir a Prefeitura.

Esse histórico passou a ser mencionado durante a campanha de 2026 por lideranças preocupadas com a possibilidade de a região perder representantes no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa antes do término de seus mandatos.

Em agosto, o prefeito de Campo Limpo Paulista, Adeildo Nogueira, também filiado ao PL, explicou em vídeo divulgado pelo Jornal da Região por que Luiz Fernando e João Paulo de Souza, então candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, não integravam sua lista de apoios.

Adeildo afirmou que não era adversário dos dois políticos, mas defendia um compromisso público de que, caso eleitos, cumpririam integralmente seus mandatos.

“O Luiz Fernando já fez isso uma vez e nós ficamos sem deputado na região”, declarou o prefeito.

Segundo Adeildo, a preocupação era apoiar candidatos que pudessem deixar os cargos para disputar prefeituras, interrompendo a relação de representação parlamentar e a destinação de recursos aos municípios.

Em Várzea Paulista, o vereador Professor Maycon também questionou a possibilidade de Luiz Fernando utilizar uma eleição parlamentar como caminho para uma futura disputa municipal.

Em vídeo publicado originalmente durante a pré-campanha e que voltou a circular poucos dias antes das eleições de outubro, o parlamentar defendeu que os representantes eleitos cumpram seus mandatos.

“Foi eleito para ser deputado, tem que ser deputado”, afirmou.

Apesar das críticas, Maycon reconheceu que Luiz Fernando ajudou diversas entidades da região.

Em Jundiaí, Douglas Alves, ligado ao ambiente político de Gustavo Martinelli, também publicou um vídeo durante a campanha defendendo o apoio a candidatos que não disputariam eleições municipais dois anos depois.

A manifestação, entretanto, não mencionou Luiz Fernando nominalmente.

As declarações demonstram que a possibilidade de parlamentares deixarem seus mandatos já era objeto de debate regional antes mesmo das eleições de outubro.

Não há, porém, confirmação de que Luiz Fernando pretenda disputar novamente a Prefeitura em 2028.

Outros nomes entram nas discussões sobre 2028

Embora a possibilidade de retorno de Luiz Fernando à disputa municipal tenha provocado questionamentos, as conversas sobre a sucessão de 2028 não se limitam ao ex-prefeito.

Em grupos de debates políticos de Jundiaí, outros nomes também começam a ser mencionados, entre eles Gustavo Martinelli (União Brasil), Ricardo Benassi (PSD), Antônio Carlos Albino (NOVO), Leandro Basson (Podemos) e Henrique Parra (PSOL).

As menções não significam que essas lideranças tenham anunciado candidaturas.

Os nomes aparecem em um cenário marcado por rompimentos políticos, mudanças partidárias e pelos resultados das eleições de 2026.

Martinelli poderá disputar a reeleição

Eleito prefeito de Jundiaí em 2024, Gustavo Martinelli poderá disputar um segundo mandato em 2028.

Filiado ao União Brasil, o prefeito integra uma estrutura partidária que passou a atuar em federação com o Progressistas (PP), formando a União Progressista.

Em Jundiaí, o União Brasil é presidido por Adilson Roberto Pereira, enquanto o PP tem Jefferson Coimbra à frente da direção municipal.

Martinelli conta com uma base de vereadores alinhados à administração, mas a composição das alianças para 2028 ainda dependerá das articulações políticas dos próximos dois anos.

A condição de prefeito em primeiro mandato coloca Martinelli naturalmente entre os nomes envolvidos nas discussões sucessórias, embora a decisão de disputar a reeleição dependa de uma definição política futura.

Benassi e o rompimento com Martinelli

Eleito vice-prefeito na chapa de Gustavo Martinelli em 2024, Ricardo Benassi iniciou o mandato pelo NOVO e posteriormente ingressou no PSD.

A relação política entre os dois se deteriorou durante o primeiro ano de governo.

Em agosto de 2025, Benassi deixou a Secretaria de Governo e Finanças e passou a exercer exclusivamente as atribuições de vice-prefeito.

Em entrevista concedida em agosto de 2026, tornou públicas suas divergências com Martinelli, afirmando que o prefeito havia “mudado o combinado”.

Benassi chegou a ser apresentado pelo PSD como pré-candidato a deputado estadual em 2026, mas decidiu não disputar a eleição.

O rompimento com o prefeito e sua permanência na vida partidária ajudam a explicar por que seu nome aparece nas discussões sobre o futuro político do município, embora não exista candidatura anunciada para 2028.

Albino e a reorganização do NOVO

Antônio Carlos Albino disputou a eleição municipal de 2024 como candidato a vice-prefeito na chapa de José Antonio Parimoschi, apoiada pelo então prefeito Luiz Fernando Machado.

Após a derrota, deixou o PL e passou a atuar na coordenação regional do NOVO, afastando-se politicamente do grupo com o qual havia disputado a Prefeitura.

O distanciamento também ganhou repercussão pelas críticas de seu filho, o vereador Rodrigo Albino, à condução do PL em Jundiaí.

Rodrigo chegou a manifestar publicamente a intenção de ingressar no NOVO, mas sua transferência partidária ainda precisa ser confirmada.

Em 2026, Antônio Carlos Albino disputou uma vaga de deputado federal e recebeu 5.693 votos em Jundiaí, sem conquistar uma cadeira.

Sua participação nas discussões sobre 2028 ocorre em um contexto de reorganização partidária e de afastamento do antigo grupo político.

Basson chega à Assembleia Legislativa

Leandro Basson (Podemos) foi eleito deputado estadual em 2026, recebendo 38.151 votos em Jundiaí.

Sua atuação como vereador ganhou visibilidade principalmente nos debates sobre população em situação de rua, dependência química e políticas de assistência social.

O Podemos, presidido municipalmente por Dika Xique-Xique, já participou de disputas pelo Executivo local.

Em 2020, lançou Dr. Pacheco como candidato a prefeito. Em 2024, integrou a coligação que apoiou José Antonio Parimoschi.

Com a eleição de Basson, o partido passa a contar com representação na Assembleia Legislativa.

Seu nome também aparece nas discussões políticas sobre 2028, embora não tenha anunciado intenção de disputar a Prefeitura.

Caso venha a concorrer ao Executivo municipal, a eventual candidatura ocorreria durante o mandato parlamentar conquistado em 2026, situação semelhante à hipótese levantada em relação a Luiz Fernando Machado.

Henrique Parra e a oposição do PSOL

Outro nome mencionado nas discussões é o do vereador Henrique Parra (PSOL), que mantém uma postura de oposição à administração Martinelli.

Parra tem apresentado críticas à condução de serviços públicos e à relação entre o Executivo e o Legislativo, incluindo questionamentos sobre o encaminhamento de solicitações de seu gabinete à Prefeitura.

O PSOL possui histórico de candidaturas próprias à Prefeitura de Jundiaí.

Em 2020, lançou Cíntia Vanessa; em 2024, apresentou Higor Codarin.

A presença de Parra nas discussões sobre a sucessão municipal, entretanto, não representa anúncio de candidatura.

De olho em Brasília e na Prefeitura

As eleições de 2026 modificaram a representação política de Jundiaí.

Luiz Fernando Machado foi eleito para retornar à Câmara dos Deputados, enquanto Leandro Basson conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Ao mesmo tempo, o prefeito Gustavo Martinelli poderá buscar a reeleição, antigos aliados seguem caminhos partidários diferentes e outras lideranças passam a ser mencionadas em conversas sobre a sucessão municipal.

No caso de Luiz Fernando, os questionamentos possuem uma característica particular: surgiram publicamente antes mesmo de sua eleição para deputado federal e estão relacionados ao histórico de disputas municipais durante sua trajetória parlamentar.

A legislação eleitoral permite que ocupantes de mandatos parlamentares disputem outros cargos, desde que atendam às condições legais. Por isso, uma eventual candidatura de Luiz Fernando ou Basson à Prefeitura em 2028 não representaria, por si só, uma irregularidade.

A discussão apresentada pelas lideranças regionais está relacionada principalmente ao compromisso político de cumprir os mandatos conquistados nas urnas.

Por enquanto, nenhum dos nomes mencionados anunciou oficialmente candidatura à Prefeitura em 2028.

No caso de Gustavo Martinelli, a possibilidade de disputar a reeleição surge naturalmente de sua condição de prefeito em primeiro mandato.

As decisões partidárias e eventuais candidaturas dependerão das articulações dos próximos dois anos.

Com as eleições nacionais encerradas, os bastidores políticos de Jundiaí já se movimentam em torno de 2028.

A principal questão agora é saber quais lideranças transformarão as especulações em candidaturas, quais alianças sobreviverão até a próxima disputa pela Prefeitura e se os deputados eleitos em 2026 optarão por cumprir integralmente seus mandatos ou tentarão retornar ao Executivo municipal.

Em uma cidade marcada por mudanças de alianças e rompimentos políticos recentes, a sucessão de 2028 começa a ser discutida antes mesmo da posse dos novos parlamentares.

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