Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,372 ▲ 8,19%Euro R$ 6,000 ▲ 6,87%Ibovespa 176.608 ▼ 13,88%
Habitação Social

Falta casa e sobra gente: Jundiaí destina 97,6% do orçamento da Habitação a pessoal e despesas correntes

Dos R$ 16,9 milhões previstos para a Secretaria de Habitação em 2026, apenas R$ 404 mil, equivalentes a 2,4%, estão classificados como investimentos.

Jaime Lima
· Jundiaí
Entrega de casas no bairro Jardim Tamoio - Fotógrafo PMJ

A Secretaria Municipal de Habitação Social de Jundiaí tem orçamento de R$ 16,9 milhões para 2026, dos quais R$ 12,02 milhões, equivalentes a 70,8% do total, estão destinados a despesas com pessoal e encargos sociais.

Já os investimentos previstos somam R$ 404 mil, correspondentes a apenas 2,4% dos recursos reservados à pasta.

Os números constam da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O orçamento da secretaria representa aproximadamente 0,37% dos R$ 4,63 bilhões previstos para o município.

A distribuição dos recursos ganha relevância diante da demanda por moradias populares em Jundiaí.

Em março de 2026, a secretária de Habitação Social, Kelly Galbieri, informou ao Jornal de Jundiaí que o município contabilizava aproximadamente 78 mil registros de demanda habitacional.

A própria secretária, entretanto, explicou que parte desse número havia sido ampliada por inscrições de pessoas que não residiam no município.

Por isso, os 78 mil registros não devem ser interpretados como uma estimativa técnica de 78 mil moradias em falta.

Como está distribuído o orçamento

A maior parcela dos recursos previstos para a Secretaria de Habitação está concentrada em despesas com pessoal e encargos sociais.

Outros R$ 4,54 milhões estão destinados a despesas correntes, que incluem serviços, materiais e manutenção das atividades administrativas e habitacionais.

Pessoal e encargos sociais
Valor previsto: R$ 12.020.000
Participação no orçamento: 70,8%

Outras despesas correntes
Valor previsto: R$ 4.545.000
Participação no orçamento: 26,8%

Investimentos
Valor previsto: R$ 404.000
Participação no orçamento: 2,4%

TOTAL DO ORÇAMENTO
Valor previsto: R$ 16.969.000
Participação: 100%

Do total classificado como investimentos, R$ 394 mil estão vinculados à ação de produção habitacional de interesse social e obras de infraestrutura, incluindo R$ 350 mil previstos especificamente para obras e instalações.

Os valores representam dotações autorizadas para 2026 e não necessariamente despesas já realizadas.

Déficit habitacional precisa de atualização

O último diagnóstico técnico municipal identificado foi apresentado em 2015, durante a elaboração do Plano Local de Habitação de Interesse Social.

Na ocasião, um estudo da Demacamp estimou o déficit habitacional de Jundiaí em 12.627 domicílios, dos quais 3.837 estavam localizados em assentamentos precários e 8.790 fora dessas áreas.

Em março de 2026, a secretária Kelly Galbieri reconheceu, em entrevista ao Jornal de Jundiaí, que o município ainda precisava atualizar o levantamento sobre famílias residentes em áreas precárias, de risco ou em situação de vulnerabilidade.

Na mesma reportagem, a administração municipal apresentou a meta de entregar mais de 2.800 moradias de interesse social até o final de 2028.

A diferença entre os registros de demanda habitacional e o diagnóstico técnico de déficit reforça a necessidade de atualização dos dados.

Investimentos cresceram mais de 400%, destacou o Jornal de Jundiaí

Em outubro de 2025, o Jornal de Jundiaí publicou reportagem destacando que os investimentos previstos para a habitação aumentariam mais de 400% em 2026, passando de R$ 78 mil para R$ 404 mil.

Na ocasião, o então secretário de Habitação, Jeferson Coimbra, atribuiu o crescimento à reforma administrativa que extinguiu a Fundação Municipal de Ação Social (FUMAS) e reorganizou as atribuições da política habitacional.

A publicação também informou que as despesas de custeio haviam sido reduzidas de R$ 12,6 milhões para R$ 4,5 milhões, segundo os dados apresentados pela administração municipal.

Apesar do crescimento percentual dos investimentos, os R$ 404 mil representam apenas 2,4% do orçamento da Secretaria de Habitação Social em 2026.

A comparação com o exercício anterior também precisa considerar as mudanças na estrutura administrativa.

Moradias populares e outras fontes de recursos

Os investimentos previstos no orçamento da secretaria não representam a totalidade dos recursos utilizados na política habitacional de Jundiaí.

Um exemplo são as 26 unidades habitacionais do núcleo Recanto Novo, no Jardim Tamoio, cuja entrega foi concluída em agosto de 2026.

Registros do Conselho Municipal de Habitação confirmam a utilização de recursos do Fundo Municipal de Habitação para a continuidade e conclusão das obras.

Segundo a Prefeitura de Jundiaí, o empreendimento recebeu R$ 4,54 milhões em investimentos municipais.

Também estão em andamento as obras dos residenciais Cravos III e IV, no bairro Fazenda Grande, que somam 132 apartamentos destinados a famílias de baixa renda pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida.

Em agosto de 2026, a Prefeitura informou que as obras haviam alcançado aproximadamente 40% de execução.

O empreendimento é desenvolvido em parceria com o Governo Federal e o Governo do Estado de São Paulo, por meio da CDHU e do programa Casa Paulista.

Dessa forma, embora a Secretaria de Habitação Social tenha apenas R$ 404 mil classificados como investimentos em seu orçamento de 2026, a produção de moradias populares também envolve recursos do Fundo Municipal de Habitação e programas desenvolvidos em parceria com outras esferas de governo.

O que os números mostram

O orçamento de 2026 revela que 97,6% dos recursos da Secretaria Municipal de Habitação Social estão destinados a pessoal, encargos e outras despesas correntes, enquanto apenas 2,4% aparecem classificados como investimentos.

Essa composição, entretanto, não permite concluir que todo o investimento habitacional do município esteja limitado aos R$ 404 mil da secretaria.

A existência de fundos específicos, convênios e programas estaduais e federais exige uma análise mais ampla para dimensionar o total de recursos destinados à construção e à entrega de moradias.

Ao mesmo tempo, a diferença entre a demanda habitacional cadastrada e o diagnóstico técnico disponível evidencia a importância de atualizar os indicadores utilizados no planejamento da política pública.

O desafio de Jundiaí não está apenas em ampliar a construção de moradias populares, mas também em identificar com precisão a demanda existente, acompanhar a execução dos recursos e demonstrar os resultados dos investimentos habitacionais.

Fontes: Lei Orçamentária Anual de Jundiaí de 2026, Prefeitura de Jundiaí, Conselho Municipal de Habitação e Jornal de Jundiaí.

Compartilhe
Envie sua notícia