Garis de Jundiaí assinam avisos-prévios em meio à disputa judicial sobre contrato de limpeza
Trabalhadores confirmam ao Diário de Jundiaí que assinaram documentos na segunda-feira (26); enquanto alguns planejam abrir o próprio negócio, outros temem o desemprego e a perda de benefícios.
Funcionários que atuam na coleta de lixo e nos serviços de limpeza urbana de Jundiaí afirmam ter recebido e assinado avisos-prévios na segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
A informação foi confirmada por trabalhadores ouvidos pelo Diário de Jundiaí, na manhã desta terça-feira (27).
Segundo os relatos, a medida teria atingido todos os funcionários da empresa responsável pelos serviços. A abrangência dos avisos-prévios, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente pela prestadora.
A situação ocorre em meio às incertezas envolvendo o contrato emergencial de aproximadamente R$ 70 milhões, firmado entre a Prefeitura de Jundiaí e o Consórcio Japy Ambiental, que se tornou alvo de questionamentos na Justiça.
A assinatura dos documentos provocou diferentes reações entre os funcionários. Enquanto alguns enxergam a possibilidade de receber verbas rescisórias e iniciar novos projetos, outros demonstram preocupação com o desemprego, a continuidade dos serviços e a eventual perda de benefícios.
Justiça impôs restrições ao contrato emergencial
No início de outubro, uma decisão da Justiça de Jundiaí suspendeu a possibilidade de prorrogação do contrato emergencial de limpeza urbana, firmado por 180 dias.
A ação judicial questiona aspectos da contratação, incluindo questões orçamentárias, critérios de formação dos preços e procedimentos administrativos adotados pelo município.
O Ministério Público também defendeu a realização de perícia técnica e maior fiscalização sobre a execução dos serviços e os pagamentos realizados.
A medida judicial não determinou a interrupção imediata da coleta de lixo, mas estabeleceu restrições à continuidade do contrato por meio de prorrogação.
Até o momento, não há confirmação de que os avisos-prévios assinados pelos trabalhadores sejam consequência direta dessa decisão judicial.
Depois de anos de trabalho, alguns enxergam oportunidade de recomeçar
A notícia dos avisos-prévios provocou diferentes sentimentos entre os funcionários.
Um dos trabalhadores entrevistados pelo Diário de Jundiaí, que possui mais de dez anos de serviços prestados à empresa, recebeu a informação com entusiasmo.
“Não vejo a hora de receber esse dinheiro e montar meu próprio negócio. Já tenho mais de dez anos nessa empresa e é muito difícil ela mandar embora”, contou.
Para ele, o eventual recebimento das verbas rescisórias poderá representar a oportunidade de investir em um projeto pessoal e iniciar uma nova atividade profissional.
O depoimento mostra que nem todos os trabalhadores receberam a notícia da mesma maneira. Para alguns, a possibilidade de desligamento também representa uma oportunidade de mudança após muitos anos de trabalho.
“Ninguém falou nada. Fomos pegos de surpresa”
Para outros trabalhadores, entretanto, o momento é de preocupação e insegurança.
Um dos entrevistados relatou que os documentos foram apresentados sem explicações suficientes sobre o futuro dos empregados.
“Ninguém falou nada. Fomos pegos de surpresa, já com o pedido para assinar os papéis”, afirmou.
A falta de informações sobre os próximos passos da empresa aumenta a apreensão de quem depende do emprego para manter a família.
Entre as principais dúvidas estão a continuidade dos serviços, a possibilidade de manutenção dos postos de trabalho e as condições de uma eventual transição para outra prestadora.
Funcionários ainda acreditam na possibilidade de reversão
Apesar dos avisos-prévios assinados, há trabalhadores que mantêm a esperança de continuar exercendo suas atividades.
Uma das funcionárias ouvidas pela reportagem demonstrou tranquilidade ao relatar uma conversa com seu superior.
“Meu chefe falou que ainda é possível reverter essa situação e continuarmos trabalhando”, contou.
Segundo ela, caso o desligamento seja concretizado e outra empresa assuma os serviços, existe a expectativa de que os atuais funcionários possam ser contratados novamente, considerando a experiência acumulada na atividade.
“Temos chances de ser contratados pela nova empresa porque já temos experiência na área. Até ele está de aviso”, acrescentou.
A possibilidade de reversão, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente.
Da mesma forma, não existe confirmação de que uma eventual nova prestadora seja obrigada a contratar os atuais funcionários.
Possível perda de benefícios preocupa trabalhadores
Outro assunto que circula entre os funcionários é a possibilidade de mudanças nas condições de trabalho caso uma nova empresa assuma a limpeza urbana do município.
Uma das entrevistadas destacou a qualidade do vale-alimentação atualmente oferecido e demonstrou preocupação com os comentários sobre possíveis reduções.
“Nosso vale-alimentação é muito bom. Já estão rolando boatos de que a nova empresa vai diminuir os benefícios e o salário”, relatou.
Essas informações, entretanto, são comentários que circulam entre os próprios trabalhadores.
Não há confirmação de que uma eventual nova prestadora pretenda modificar salários ou benefícios.
As condições de trabalho dependerão das regras legais e coletivas aplicáveis, dos contratos de trabalho e das condições que vierem a ser estabelecidas em eventual nova contratação.
Com 20 anos de empresa, trabalhador pensa em receber a rescisão e voltar à atividade
Outro depoimento que chamou a atenção da reportagem foi o de um funcionário com duas décadas de serviços prestados.
Mesmo diante da possibilidade de desligamento, ele pretende continuar trabalhando na coleta de lixo.
“Eu tenho 20 anos de empresa. Esse dinheiro vai me ajudar muito. Depois que eu receber, vou tentar entrar na nova empresa de novo”, afirmou.
O relato mostra que, para alguns empregados, uma eventual rescisão representa tanto a expectativa de receber valores decorrentes do encerramento do contrato de trabalho quanto a possibilidade de retornar à mesma atividade profissional.
A experiência acumulada ao longo de anos na coleta e nos serviços de limpeza urbana é vista por esses trabalhadores como uma vantagem em eventuais processos de contratação.
Futuro da coleta de lixo em Jundiaí ainda gera dúvidas
A assinatura dos avisos-prévios acontece em um momento de indefinição sobre a continuidade do contrato emergencial e a futura prestação dos serviços de limpeza urbana em Jundiaí.
Entre as principais dúvidas estão a possibilidade de cancelamento dos avisos, a permanência dos atuais trabalhadores, a contratação por uma eventual nova empresa e a manutenção das condições de trabalho.
Também permanece a preocupação com a continuidade de um serviço essencial à população.
A assinatura do aviso-prévio, por si só, não significa que o desligamento já tenha sido concluído. A medida poderá ser reconsiderada, dependendo das decisões da empresa e dos desdobramentos contratuais.
A reportagem também busca esclarecer a abrangência dos documentos assinados, o planejamento para a continuidade da coleta de lixo e as providências relacionadas aos trabalhadores.
O Diário de Jundiaí continuará acompanhando a situação e buscando esclarecimentos junto à Prefeitura, à empresa responsável e aos representantes dos trabalhadores.
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